domingo, 1 de maio de 2016

Bola de Bacalhau, Cozido e Pretexto para Beber Bons Brancos (nem todos tranquilos)



Sobre a Bola de Bacalhau, não me alongo. A descrição da que se faz em Lamego aparece na pagina 67 da Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto e eu vou reinventando a preparação à procura de uma de excelência (se lá chegar).
 
Interessante para mim foi a harmonização desta bola com um dos meus brancos preferidos, ainda por cima barato, o Quinta das Bágeiras colheita, aqui numa mini vertical, com o 2013 já porreiro, o 2012 (infelizmente com "rolha") e o 2011 que estava sublime. Uma lança em África (neste caso vinda da Fogueira). Cada vez gosto mais destes vinhos, até mais do que dos topos.
 
Ainda antes do cozido um honesto dão branco 2012, de Álvaro de Castro, muito porreiro.



 
 O Cozido foi feito com coisas normais, como carnes, enchidos, fumados e vegetais, com opção de se meter mais qualquer coisa. Aqui entrou um arroz agulha cozido no caldo das carnes.
Se quiser ir pela via parva pode sempre fazer na termomija, mas não é a mesma coisa...

 
Como o cozido não estava nada mau, justificou um raid por Bucelas, antes de ir ao Minho.
 
 Morgado de Santa Catherina 2008, um Arinto de sonho, fresco, mineral, com a madeira a não chatear, foi um dos melhores vinhos da noite.
 
Depois, duas estrelas de Anselmo Mendes, o Muros de Melgaço 2008 e 2009. Já havia Curtimenta (desde 2005, o vinho de topo), mas estas garrafas tronco-cónicas faziam toda a diferença. O 2008, muito complexo, o 2009, mais fresco e directo e a pedir mais tempo de cave, estiveram brilhantes a acolitar o prato.
 
 
Antes dos bolhinhas [há quem chame champagne a tudo o que tem gás], os tais não tranquilos, tempo para uma raridade, um Casa de Saima Branco 1995. Impressionante para um vinho com 20 anos (é Bairrada, carago).
 
Nos intranquilos (aka bolhinhas), um Caves Primavera Premium 2013, feito com Arinto e Baga e para acabar a noite, um São Domingos Velha Reserva 2003, com o degorgement feito em 2014...
 

 
 
 
 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Vinhos que fazem Sorrir ou Pensar (ou Sonhar)


O prazer da prova, a companhia de amigos e a comida podem alterar notas de prova (para quem as tira), mas não nos deixam indiferentes à memória. Estes vinhos foram provados há quase dois meses, num almoço antes do simplesmente vinho 2016...

 
  • Espumante Reserva da Quinta do Ortigão de entrada. Um bolhinhas muito competente;
  • Quinta de Santiago Alvarinho 2014, porreiro para beber já, mas será prudente guardar algumas garrafas para beber daqui a uns anos (e é Berde);
  • Quinta de Arcossó Reserva branco 2013. Pujante, marcante...
  • Quinta da Alameda de Santar Reserva Especial 2012, teve 18 valores na RV e é um grande vinho do Dão;
  • Quinta de Arcossó Syrah 2011, fresco e a mostrar que detrás dos montes saem belos vinhos:
  • Duas Quintas  Reserva 1994, um monstro do Douro, imperdível. Fantástico...
  • Cave do Solar das Francesas 1968... Cortesia do Nuno, estava com a evolução esperada, 1968 não foi bom ano para vinhos, mas este estava porreiro...
  • Deutz 2008, champagne para a despedida :)

 

sábado, 23 de abril de 2016

António Bernardino Paulo da Silva Colares Chitas Reserva 1990


 
Ramisco com 26 anos, feito em Azenhas do Mar. Há 16 anos, João Paulo Martins (no seu guia "Vinhos de Portugal 2000"), deu-lhe uma classificação de 3 em 8 possíveis, referiu que lhe faltava personalidade e questionava-se se Colares era isso e ainda disse que não valia o preço pedido.
 
Confesso que foi a minha primeira prova de um vinho de Colares e até gostei. Tem 11º de álcool, está muito evoluído, mas foi cordato e até simpático a acompanhar uma quiche de alheira com uns grelos saltitados, azeitonas e pickles a compor o prato.

 

Provas (quase) Soltas




 
* O primeiro vinho, o do ponto de interrogação, é um rosado do Márcio Lopes que ainda não está no mercado. Muito pouco carregado na cor, fresco e muito elegante, acho que vai dar que falar...
* O Morgado de Santa Catherina é um clássico de Bucelas e este 2007 estava excelente, a demonstrar (como se fosse preciso) que os bons Arintos de Bucelas precisam de anos para se mostrarem.
* Muros de Melgaço 2005, um clássico de Anselmo Mendes e este estava ainda melhor do que o Morgado, complexo e elegante, com notas de muito boa evolução.
* Proibido 2013, outro vinho do Márcio e que ainda está em casco. Muito diferente do 2012, mais elegante, mas será outro vinho para ir bebendo durante anos.
* Domingos Soares Franco Colecção Privada Moscatel Roxo 2005. Gosto muito destes vinhos, até mais do que do Alambre 20 anos, pela diferença e carácter. O 2004 está mais focado nas notas cítricas (casca de tangerina) e este tem mais notas de tosta a denotar que precisa de ser decantado. Ao preço (cerca de vinte euros), não conheço muitos vinhos capazes de dar o prazer que este dá na prova.
 

Tons de Duorum Branco 2015




 
Já muito se falou da parceria de João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco (com João Perry Vidal) no Douro Superior, em Vila Nova de Foz Côa, na Quinta de Castelo Melhor, ali a caminho de Almendra.
Quase nove anos depois de lançarem os primeiros vinhos, este Tons de Duorum continua a ser o único branco da marca. Sempre marcado pelos aromas do Moscatel Galego, apesar da casta contribuir em apenas 5% para o lote (o restante é Viosinho - 30% - Rabigato - 25% - Verdelho - 20% - e Arinto - 20%), tem uma boa acidez (as vinhas estão entre os 400 e os 600m de altitude) e bebe-se muito bem, a solo ou a acompanhar comidas simples e frescas. É um vinho distinto, muito bem feito e com um preço muito apelativo (quatro euros e meio), porreiro para o verão.
 
(vinho enviado pelo Produtor)
 

Exquisite Wines ou uma Prova Épica


Não será fácil voltar a reunir estes vinhos numa prova. Alguns já nem estão à venda e foi por isso que a considerei épica, mais que régia...
 
 
 
  • Passionada Escolha Loureiro 2008, de Anselmo Mendes. Porreiro para welcome drink, fresco e surpreendente;
  • Quinta do Poço do Lobo Arinto 1995, um branco da Bairrada, longevo, ainda em grande forma e com anos pela frente;
  • Gravato Palhete 2004, Muito diferente do 2005, de que deixei nota aqui, mais escuro e complexo, quase um tinto para beber fresco, como o Gravato Vinhas Velhas de 2008 aqui relatado;
  • Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995; Baga, Moreto de Cantanhede e o (não) intruso Castelão da margem sul do Tejo (ou praquita, como se dizia em Mira) compuseram um vinho que se bebe com grande prazer. Um dos clássicos das Caves São João;
  • Casa de Santar Reserva 1994. É um dos primeiros vinhos à séria que bebi e com quase 22 anos, ainda mantem a graça e a compostura. Grande vinho;
  • Luís Pato Vinhas Velhas 1992. É um monstro da Bairrada. Surpreende pela juventude, merece ser bebido em boa companhia. Portentoso;
  • Quinta do Vale Dona Maria 1997. A segunda edição deste clássico do Douro, de Cristiano Van Zeller. Um vinho do Douro de classe mundial;
  • Quinta de Pancas Cabernet Sauvignon 1997. Deixei nota aqui do 1996 e este 1997 já denotava alguma evolução. Ainda em forma, mas é para beber asinha...
  • Covela escolha 2005. Foi o único tinto do século XXI que se provou. Está ali entre o Douro e o Berde, muito novo ainda, a precisar de anos em cave, muito austero e muito porreiro;
  • Quinta do Encontro Bruto 2006. Para fechar a noite de provas. Espumante Bairradino com dez anos, cumpriu...
 
 
 
 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Vinhos de Reguengos de Monsaraz @ CARMIN e os Vinhos de 2015



 
Vinhos de Rui Veladas, Enólogo da CARMIN. Baratos e porreiros.
 
O Monsaraz Branco, feito com Antão Vaz, Gouveio e Arinto e com PVP de três euritos acompanhou bem umas pataniscas de bacalhau. Simples, fácil de beber, esteve bem.
 
Para os tintos, fiz um cozido e fomos provando e bebendo...
 
O Reguengos, feito com Trincadeira, Aragonês e Castelão é o mais barato da gama e com um PVP de €2,40, pode ser boa companhia para um chouriço assado ainda de entrada (para quem gostar) ou para começar a acompanhar o cozido. Já o Monsaraz, feito com Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet (com PVP de € 3,00), se mostra mais competentente, agradável e simples.
 
Mas o Reserva vale a diferença de preço (cerca de seis euros). Alicante Bouschet, Trincadeira e Touriga Nacional, com nove meses de estágio em madeira e alguma complexidade aromática aliada a uma boa frescura. Tem 15º de álcool, mas não se notam muito. Sirva-se a 16º C em bons copos :)
 
 
(vinho enviado pelo produtor)
 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Proibido Grande Reserva 2012 by Márcio Lopes




 
Vinho proveniente de vinhas velhas do Douro Superior, feito pelo Márcio Lopes. Roxo, concentrado, complexo, tem 14,5º de álcool e taninos bem presentes, notas de lagar, madeira no ponto, muita frescura e ainda está muito novo. Tem alguma rusticidade, apego à terra, como gosto. Daqui a uns dez anos deve estar muito melhor, mas este bebé esteve excelente a acompanhar um estufado de porco com os seus enchidos e pleurotos acolitado por um arroz carolino.

 
 
 

Herdade do Perdigão Reserva 2008



 
Um dos meus vinhos de eleição!
 
Feito com 85% de Trincadeira e com um pouco de Aragonez e Cabernet Sauvignon. Tem aquelas notas fruto/vegetais da Trincadeira, madeira que às vezes parece excessiva, mas decante-se e temos um vinho que respira frescura e que e muito versátil à mesa. Harmonizei este 2008 com um frango na púcara, com batatas e grelos cozidos e esteve fantástico.
 

 
Para beber e guardar, já que depois dos dez anos começa a estar no auge. Custa vinte e cinco euros nas garrafeiras, mas já o apanhei no supermercado do elefante a doze.
 

Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto 2011

 
São pouco mais de seis mil garrafas de um vinho de sonho, de Baga e de 2011.

 
 
Desde 1991, ano da primeira edição do Quinta das Bágeiras Garrafeira Tinto, o vinho foi consistentemente considerado um dos melhores da Bairrada.
Ao contrário de muitas reputadas marcas, este Garrafeira não mantém um perfil pré-definido e quando sai espelha o ano da colheita e o terroir, conceitos bem caros ao Mário Nuno que, com o enólogo Rui Moura Alves, vai redesenhando o perfil dos vinhos.
Na edição de 2005, o vinho levou 20% de TN, nos restantes, apenas Baga. E desde a magna elegância do 2009 (penso eu de que), passando pela concentração "de comer à colher" do 2001, é todo um mundo. Aliás, fazer uma prova vertical destes vinhos é algo de imperdível...
 
Este 2011 está a pender para a elegância, sem contudo perder a concentração e como todos, a revelar uma bondade a acompanhar comidas (aquilo de vinhos gastronómicos, como se diz).
 
Batatinhas a murro, porco marinado, quase como a carne das Mercês e o vinho brilhou. Mas com um leitão a preceito, um cabrito e muitos outros pratos, e o vinho lá está. Para mim, um dos melhores Garrafeiras.