sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Tapada do Chaves Branco 2007



 
Esta é a segunda entrada dum Tapada do Chaves aqui no blogue, tendo a primeira sido feita pelo meu amigo João Crespo há pouco mais de seis anos e que se pode ler aqui. São vinhos clássicos do Alentejo que me costumo esquecer de comprar e provar (não me lembro de ter provado um tinto).
 
Comprei este como curiosidade no Intermarché de Cantanhede (duas garrafas a quatro euritos cada) e achei que podia ter alguma saúde e capacidade para acompanhar um cozido, para tentar reverificar a bondade da ligação dum branco complexo e com alguma idade para acompanhar esse belo prato, como aconselham alguns amigos que gostam e sabem muito de vinho.
 
E não é que o Tapada do Chaves, com quase sete anos, estava muito bem evoluído, tinha perdido aqueles aromas das frutinhas, mas mantinha a boa acidez e frescura necessária para brilhar a acompanhar o cozido? A ligação foi quase perfeita e no fim da refeição ainda esteve excelente a acompanhar umas fatias de queijo de Azeitão :)
 
 


 

domingo, 27 de Julho de 2014

allo 2012




 
Alvarinho e Loureiro de António Luís Cerdeira, o homem que faz o Soalheiro. Este foi classificado como vinho Regional Minho e é um bom exemplo dum vinho que precisa de algum tempo para se mostrar, contrariando a ideia de que os vinhos da região dos vinhos verdes são para beber no ano. Claro que os topos, como o Soalheiro Reserva ou o Muros de Melgaço, sabem melhor ao fim de meia dúzia de anos e este allo, após um ano da saída para o mercado, está mais porreiro. Mantem a frescura e a acidez, ganhou alguma maturidade e está num bom momento de forma.
 
Acompanhou muito bem meia cara de bacalhau cozida com legumes e um ovo, acolitada com bom azeite.

 

Poeira 2011



 
Jorge Moreira é um distinto enólogo que faz grandes vinhos na Quinta de la Rosa e que está a redefinir o perfil dos vinhos da Real Companhia Velha. Também está no Dão, na Quinta do Corujão, com o Francisco Olazabal e o Jorge Serôdio Borges de onde saiu o MOB.
Mas é do seu projecto pessoal, o Poeira que saem os meus vinhos preferidos.
2011 foi um ano glorioso no Douro e este Poeira dessa colheita é bem capaz de ser um dos vinhos de referência do Douro nesse ano.
 
Muito limpo nas notas de fruta e com madeira no ponto sem marcar o vinho, veludo na boca, com taninos presentes mas domados, fresco (desde que a temperatura de serviço esteja nos 16/17º C, já que acima disso os 14º de álcool começam a mostrar-se), é muito elegante e na mesa pede comidinha boa. Esteve excelente a acompanhar um borrego feito no forno. Um grande vinho que se bebe com muito prazer agora e que daqui a uns anos estará ainda melhor. Tal como referi aqui quando provei o 2004, em 2011.

 

domingo, 20 de Julho de 2014

Torre de Tavares 2009




 
João Tavares de Pina, Penalva do Castelo, Síria e quase cinco anos depois da vindima, temos um belo branco de vinhas velhas de Figueira de Castelo Rodrigo. Provado a solo, é seco, seco, precisa de comida da boa na mesa. Esteve muito bem a acompanhar uma feijoada de samos e línguas de bacalhau. Austero e com capacidade de melhorar na cave, é um vinho feito contra as modas, muito porreiro. É um vinho cheio de carácter e alma, de atitude e altitude (para usar os adjetivos arquetípicos).  Altamente recomendado ...

 
 

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Avô Fausto da Quinta das Bágeiras e um Borrego quase Chanfanhado



 
Acabadinho de sair para um restrito mercado, temos um novo vinho tinto de topo de gama da Quinta das Bágeiras. Depois do Garrafeira 2009 (fantástico, fantástico e de que darei nota em breve) e do Pai Abel 2009 (que ainda não tive a coragem de provar), sai um vinho que seria ao gosto do Avô Fausto, menos concentrado, mais consensual, mais ao gosto de quem se quiser servir de mais um copo...
 
O rótulo é muito bem desenhado, na sequência dos anteriores "Pai Abel" brancos de 2011 e 2012 e a garrafa continua a ser a dos topos da Quinta das Bágeiras, envoltas em papel, a dar nota de coisa luxuosa e séria e este rótulo apresenta uma bicicleta de homem com a proteção de corrente que a Raleigh, uma competente fabrica de bicicletas inglesas utilizava. Tudo a fazer pensar que temos algo de muito especial. E temos!
 
Vertido no copo tem uma cor ruby lindíssima, sem laivos de roxo nem opacidade, apesar de ter um bocadinho de Touriga Nacional. No nariz aparece marcado por muitas boas notas da madeira usada no estágio (madeira usada, naturalmente e o pleonasmo foi propositado) e fruta muito limpa a desafiar o nariz. Depois aparecem aromas de solo, terrosos e na boca cai que nem ginjas, com taninos presentes a dar conta que merece uma guarda, mas dá muito prazer na prova, quase prazenteiro, quase guloso (e dizer isto dum vinho do Mário Nuno é uma provocação, mas foi o que senti).
 
Um vinho de vigneron, uma abordagem mais elegante e consensual à Baga que acompanhou muito bem o prato, um borrego quase chanfanhado, marinado em vinho branco e alhos, feito num tacho de barro, com batatas cozidas a acompanhar.

 
E uma salada de tomates vários da horta e cebola laminada, temperados com flor de sal, vinagre das Bágeiras (umas gotas), orégãos secos e bom azeite, servida de entrada.

 
Notas finais para o vinho, é muito fresco e para além de ter acompanhado muito bem o prato, esteve excelente a acompanhar um bom queijo de Celorico da Beira, do Sabores da Serra.
 

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Pala da Lebre Branco 2013



 
Vinho branco do Douro, feito com uvas de Gouveio, Rabigato e Malvasia Fina da Quinta de Penalva, a 450 metros de altitude. Estagiou em inox até fevereiro e foi engarrafado no início de março. É muito fresco e tem alguma mineralidade, que o tornam muito porreiro para beber a solo ou a acompanhar comidas simples, mas aguenta perfeitamente um prato mais elaborado como o ensopado de pregado com que o acompanhei. Custa pouco menos de seis euros, o que é uma boa relação qualidade/preço. Gostei muito.

 
(vinho oferecido pelo Produtor)
 

domingo, 29 de Junho de 2014

Empadão de Bacalhau e Covela Edição Nacional Avesso 2013

 
Comecei por cozer batatas e escalfar bacalhau. Fundo de azeite num tacho de fundo grosso, cebola cortada em meias luas finas, pimento em tiras finas, alho picado, pimenta a gosto, uma malagueta seca picada e deixei em lume medio até a cebola ficar translucida. Entretanto limpei o bacalhau de peles e espinhas, esmaguei as batatas grosseiramente e juntei tudo no tacho. Juntei um pouco de leite, envolvi tudo muito bem e passei a mistura para um tabuleiro de barro e cobri com umas nozes de manteiga. Entretanto liguei o forno a 200º C e levei o empadão a alourar um bocado. Servi com uma salada de tomate, cebola e pepino, temperada com flor de sal, vinagre da Quinta das Bágeiras, azeite da Herdade Grande e um pouco de orégãos secos.

 
Para acompanhar este prato escolhi um vinho da renovada Quinta de Covela, o Edição Nacional Avesso. Já tinha provado este vinho (no simplesmente... Vinho) e tinha gostado da austeridade, acidez, mineralidade e apetência para acompanhar comida. Muito bem feito, ligou bem com o prato e ainda esteve muito bem a acompanhar uma seleção de queijos (Seia, Niza e chèvre). Está a oito euros na Garrafeira Tio Pepe.
 

Cozido e Frei João Reserva Branco 2009



 
Um singelo cozido, feito com galinha, vitela, ossos da espinha do porco (deixados em sal de um dia para o outro e posteriormente demolhados), chouriço de carne e de sangue da Guarda, chouriço de porco preto alentejano, batata, brócolo, cenoura, nabo e couve flor.
 
A minha companhia natural para um cozido é um vinho tinto, mas com o tempo mais quente, um branco bem feito e com alguma idade acompanha este prato muito bem. Foi o caso do Frei João Reserva branco de 2009, de que já tinha dado conta aqui quando saiu para o mercado, há uns três anos. Com os quase cinco anos de vida, está a ter uma evolução porreira e a indicar que está aí para as curvas. Custou menos de sete euros na Garrafeira Tio Pepe. Vale a pena.

 

terça-feira, 10 de Junho de 2014

Quinta das Bágeiras Espumante Bruto Natural Super Reserva 2011 | Ensopado de Pregado



 
No sábado passado fui visitar um dos mais emblemáticos produtores portugueses de vinho, um vigneron, um wine freak, o produtor do ano de 2013 da RV e agora Comendador da Ordem do Mérito Empresarial, o Mário Sérgio Alves Nuno.
 
Foi com sentida satisfação que recebi a notícia de que o seu trabalho de um quarto de século foi reconhecido pela Presidência da República.
 
Quem passa aqui no blog sabe que sou um admirador (quase) incondicional do Mário e dos seus vinhos e não estranhará que neste 10 de Junho tenha brindado com um espumante dele enquanto assistia à cerimónia da entrega das condecorações.
 
Escolhi o Super Reserva de 2011, acabado de sair para o mercado. 3480 garrafas numeradas (a minha era a 1444) dum vinho feito com Maria Gomes e Bical. Tem 13º de álcool e naturalmente, não encanta gregos nem troianos quando se abre, já que foge do que se espera de um espumante de festa, facilidade, fruta e tal... É sério e grande, pede um bom copo, dispensando flutes e uma hora depois de aberto (com uma manga para se manter fresco) é que começa a mostrar tudo, principalmente se tiver comida à altura.

 
Acompanhei-o com um ensopado de pregado do mar de Mira, como este de que deixei nota aqui e ligou muito bem. O pregado ficou no ponto, com a carne sápida, firme, como se gosta :)
 
 
Parabéns, Sr. Comendador :)
 


 

segunda-feira, 9 de Junho de 2014

Pai Abel 2012




 
O Pai Abel branco vai na quarta edição. Depois do 2009 que desapareceu num ápice, do 2010 que ainda se arranja e do 2011 que foi "chumbado" pela Comissão Vitivinícola da Bairrada e levou 18,5 valores na RV, aparece agora o 2012. É um vinho difícil, que pede decanter, paciência e comida.
 
É um vinho que espelha a paixão do Mário Sérgio Alves Nuno pela criação de vinhos com alma (uso esta expressão antes que se banalize) e já se afirmou como um dos melhores brancos feitos em tugal. Não é para meninos, naturalmente.
 
Profundamente mineral, com uma frescura e complexidade impressionantes, brilhou a acompanhar um bom lombo de bacalhau cozido com ovo, cebola, cenoura, batata e os primeiros feijões verdes do ano, com o azeite Romeu a acolitar. Grande vinho!!!
 
 
(vinho oferecido pelo Mário)