terça-feira, 17 de outubro de 2017

Provas #9


Vinhos abertos e bebidos num almoço há uns meses...




  • Quinta do Ortigão Bruto, feito pelo Osvaldo Amado, é um espumante de entrada de gama sedutor, para quem gosta de espumantes sérios. Bairrada Power
  • Champagne Baron Fuenté Bruto Grande Reserva. Um dos Champagnes com melhor relação qualidade/preço do mercado. Custa cerca de vinte euros no jumbo e vale bem a prova.
  • Pequenos Rebentos Alvarinho Edição Especial, à moda antiga 2015. Um grande vinho do Márcio Lopes que já provei muitas vezes e que é bem capaz de ser um dos melhores Alvarinhos que já bebi. Fresco e mineral, vai durar anos na garrafa. Pena é que já quase não se encontra...
  • Vinha Paz Colheita Tinto 2011. Um portento de vinho, mete monstros do Dão em respeito e ainda se ri. É o terroir, o ano e a vontade do Dr. Canto Moniz a falar mais alto. Custava cerca de sete euros. Melhor é quase impossível.
  • Ramos Pinto Porto LBV 1997. Engarrafado em 2001, sem filtração, mostra tudo o que um grande Porto tem: elegância e pujança, frescura, complexidade e um grande final de boca. Que grande vinho...

O Prazer do Vinho e a Arte do Mário Nuno, o Vigneron das Bágeiras




Almoço de convívio com amigos.

Bolhas da Bairrada feito por quem os trata por tu. Falamos do Mário Sérgio Alves Nuno, um dos mais reputados criadores de vinho de Portugal e uma referência incontornável da Bairrada.

Super Reserva em Magnum, duas de 2014 (saíram mil garrafas numeradas) , uma Double Magnum Velha Reserva 2001 (Edição Limitada, saíram apenas 130)

Grande o Super Reserva, mas o 2001 mostrou que na Bairrada se fazem grandes Vinhos Intranquilos ao nível dos melhores do Mundo.



O Vintage 1994 da Ramos Pinto que se bebeu no fim (e é um Tubarão), complementou bem a refeição.



sexta-feira, 13 de outubro de 2017

3 Brancos Baratos e Muito Bons




Foram quatro meses de pausa aqui no Blog.

Tempo para pensar se vale e pena continuar a ser blogueta/enochato e mandar umas postas sobre vinhos que vou provando ou se deixo isso para os profissionais. 
Recentemente, o "chamado" guru dos vinhos portugueses, aka João Paulo Martins, voltou a malhar (ou marrar) nas pessoas que escrevem sobre vinhos (entrevista aqui). Como não compro o seu (dele) Guia de Vinhos há cerca de dez anos nem o conheço pessoalmente, não liguei muito. 
Com estas recentes alterações das Revistas mais vendidas, não se ganhou grande coisa e nem o Fugas ou a revista do Espesso trazem muito de novo.

Aliás, muitas vezes dou comigo a falar com o meu Pai sobre temas relacionados com vinho e as coisas de que ele fala já foram repetidas à exaustão há uns anos atrás, o que bem revela a falta de assunto no que aos vinhos concerne (salvo algumas excepções, naturalmente).

O povo quer é muito e barato, de preferência tinto do Além-Tejo, daqueles que o Tio Belmiro e o sr. Soares dos Santos vendem ao (aparente) preço da uva mijona, bem gulosos e com teores de álcool a rondar os 15º e que o povo bebe em maus copos e à temperatura ambiente, ou, dito de outro modo, bebem uma sopinha de álcool...

Dito isto e com #vinhosdosamigalhaços retomo a demanda de falar de vinhos que muito pouca gente bebe, embora estes três sejam baratos, fáceis de encontrar e podem ser esquecidos e bebidos daqui a dez anos. São obrigatórios para o enochato ter na garrafeira e passam ao lado dos bebedores que compram o puro do lavrador para beber no ano ou vão às pseudo promoções da moderna distribuição a pensar que compram lebre por gato quando na verdade estão a comprar gato por lebre...




No alinhamento, temos o Quinta das Bágeiras branco 2016. Produzido pelo Mário Sérgio Alves Nuno, custa cerca de cinco euros e é um vinho fora de moda, até para apreciadores de vinhos brancos, mas dá um gozo do caraças à mesa, com uma feijoada de samos e línguas de bacalhau, por exemplo. Guardem-se umas garrafas durante uns quatro ou cinco anos e o vinho cresce e pede um bacalhau no forno ou até um frango igualmente forneado (e daqui a uns vinte anos, estará de "estalo"). Grande vinho da Bairrada! A seguir, temos o Quinta dos Roques branco 2015. Feito pelo Luís Lourenço, é um clássico do Dão que não ganha concursos (fica logo afastado do disparate de ser o melhor vinho do mundo), mas que sabe bem a solo ou a acompanhar comida. Afinfe-se-lhe com um arroz de polvo em modos e ele lá estará para mostrar o que vale. Está no Supercor do ECI a uns modestos três euros e setenta e cinco centimos, por isso é para comprar às caixas e ir desfrutando dele nos próximos vinte anos. Por fim, o Marquês de Marialva Arinto Reserva 2016. Feito pelo Osvaldo Amado na Adega de Cantanhede, é o mais consensual. Passa por madeira (em parte), está no Jumbo a cinco euros e bebe-se com qualquer coisa. Acredito que vá evoluir bem em garrafa, mas nesta fase acompanha bem um pregado no forno. Futuramente, veremos como evolui.



terça-feira, 13 de junho de 2017

Pontual, Vinhos do Alandroal - Prova Horizontal





Já conheço estes vinhos há alguns anos e esta nota de prova apenas peca por tardia, uma vez que os vinhos me foram enviados pelo Produtor há cerca de seis meses. Ainda assim, o tempo de guarda não lhes fez mal nenhum. Um colheita, feito com Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional e Petit Verdot, um blend de Touriga Nacional e Trincadeira, um monocasta de Syrah, todos de 2014 e um reserva de 2013, feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah e com estágio de um ano em madeira, feitos pelo enólogo Paolo Fiuza Nigra acompanharam um cozido, num almoço com amigos.

São vinhos com um PVP simpático, entre os seis e os dez euros, Fáceis de beber (desde que ligeiramente refrigerados e servidos em bons copos) e de gostar, são vinhos para beber com quem não sabe muito de vinho, mas que agradam a enófilos, enochatos e quejandos. Gostei 😊

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tertúlia de Brancos, Mini Vertical de Pequenos Rebentos Alvarinho e uma Apresentação dos Novos Vinhos do Márcio Lopes num Jantar @ Villazur


Conheço o Márcio Lopes há uns anos e considero-o um Enólogo muito competente, sério e assertivo, para além de ser um amigo. Os Pequenos Rebentos começaram com uma edição limitada a 900 garrafas de um Tourigo feito no Douro em 2008, de que deixei nota aqui, mas foi na Região dos Vinhos Verdes que o Márcio consolidou a marca, a partir de 2010. No Douro Superior faz Ensaios Soltos, Permitido e Proibido e sobre os vinhos vou dando conta aqui no blog..


No passado dia 24 de Maio, teve a amabilidade de convidar alguns amigos para uma prova e jantar no Villazur, em Azurara, Vila do Conde. 


À chegada, PR Alvarinho e Trajadura 2016. Neste momento, o 2015 está mais feito, mas curiosamente voltei a provar este vinho de 2016 uns dias depois, confrontei-o com o aclamado Muralhas de Monção do mesmo ano, que até ganhou um Prémio Internacional recentemente (como relatado aqui) e o Pequenos Rebentos deu-lhe uma abada... Não é coisa pouca, por isso, aconselho a que se guardem umas garrafas para daqui a uns anitos.

Na mini-vertical de Alvarinhos, foi apresentado o 2016, muito correcto e a precisar de tempo em garrafa para mostrar o que vale. O 2015 em grande forma, o 2013 excelente e o 2011 a brilhar. Outra novidade foi o Alvarinho Pequenos Rebentos 2016 à Moda Antiga que vai ser um vinhão...

Para matar tudo, um Permitido Vinha Centenária 2016. Depois do 2015, que, para mim, é um dos grandes brancos do Douro, este parece ainda mais focado em ser um vinho de luxo.


Ao jantar, o Pequenos Rebentos Loureiro Vinhas Velhas 2016 com as entradas, fantástico, o Permitido 2015 já referido acima a acompanhar um arroz de polvo com filetes do mesmo e um Pequenos Rebentos Alvarinho Edição Limitada 2015 a acompanhar uma versão da posta mirandesa. Ligou tudo muito bem, a comida estava boa e para a sobremesa, um vinho desconcertante; Loureiro Fortificado 2016. Não sei se vai ser comercializado, mas foi uma bela surpresa.


No fim, a foto. Obrigado ao Márcio e ao Ricardo e aos restantes presentes que ajudaram a que este fosse um jantar memorável.

sábado, 3 de junho de 2017

Prova Vertical Quinta de Arcossó Reserva Branco (2008 a 2015)




Foi um almoço porreiro a provar vinhos muito bons. Um obrigado ao Jorge Neves por ter trazido os vinhos e outro aos que se deram ao trabalho de os vir provar a minha casa, com a minha comida.


Nas entradas, um presunto espanhol da loja do tio belmiro que não deslumbrou, azeitonas com um fio de azeite e orégãos da loja do sr soares dos santos, porreiras, uma bola de carne da Confeitaria Doce Fada, bem boa e um pudim de pescada, feito assim quase como este...

Começámos pelos mais novos e há um Grande Reserva 2015 (quase um welcome drink) que abriu a prova. Muito novo, promete; Já o Reserva do mesmo ano, está porreiro, mas a precisar de tempo em garrafa.


Com o pudim de pescada no prato, ensaiámos o 2014. Mais cordato, mas ainda novo; quando abrimos o 2013, uma desilusão. TCA presente, mas pode ter sido um defeito da garrafa, naturalmente. Ainda assim, deu para perceber que começa a estar no ponto...


Com uma açorda de Gambas, o 2012, porreiro, equilibrado, amigo do copo e do prato. Depois desse abrimos o 2011, talvez o melhor da prova, um vinhão...


Com o empadão de bacalhau, fomos ao 2010, muito correcto (um dos meus preferidos), ao 2009 (muito bom) e ao 2008. Todos em grande forma.

Não vou dar notas, mas deixo a opinião do Sérgio que já falou dos vinhos aqui...

São vinhos que merecem guarda, muito bem feitos e com uma boa relação qualidade preço. Gostei muito desta prova.

Antes da sobremesa, ainda se abriu um Romano Cunha de 2009. Tinto transmontano a merecer prova atenta...



Para sobremesa, um creme de chocolate com pimenta rosa e flor de sal a acompanhar um Quinta do Infantado LBV 2011




No fim da refeição, um Dow's Vintage 2000, de sonho.




quarta-feira, 31 de maio de 2017

Trilogias, as feitas e as que virão - breve reflexão...



Mea Culpa, aliciei a Ana Gomes e o Luís Pontes para um projecto que começou a 10 de Novembro de 2010 a que chamámos de Trilogias; durou apenas três anos, fizemos uma pausa no mesmo dia, em 2013. Foram quase 500 receitas, propostas ou o que quiserem em 158 semanas...
Ainda assim, foram três anos de gozo, de dedicação, de interacção, de algum pasmo. Falhei algumas, louvo o Luís e a Ana por serem mais cumpridores e agradeço a disponibilidade para terem aguentado esse tempo todo. Podíamos ter feito um livro de receitas, mas isso seria demasiado óbvio. Fica a pegada na internet e chega (pelo menos para mim).

Em Janeiro deste ano, realiciei-os e eles prontamente aceitaram o desafio. Retomámos as nossas postagens de quarta feira e somámos 18 no dia 24 de maio passado. São 176 no total e mais uma vez falhei algumas, mas isso, IMHO, não retira o mérito ao projeto.

Ainda assim, ficam as que podia ter feito e publicado a tempo, como a nº 174, a das couves, com uma deliciosa sopa de cozido...


Ou a nº 175, que nem é carne nem é peixe, com uns pimentos de Padron a preceito...


Em relação às Trilogias, voltaremos, penso...








domingo, 30 de abril de 2017

Quinta da Serradinha, os Vinhos do António Marques da Cruz



 
 
Vinhos do António Marques da Cruz, feitos perto de Leiria. Rosé 2015, já referido aqui, continua a apaixonar. O Branco de 2014 é grave e sério, pede um bacalhau no forno e merece guarda. O tinto 2010, de que dei nota aqui, continua em excelente forma. Grande surpresa foi o tinto de 1999, novo novo novo, completamente improvável. Um vinhão...
 
A abrir, um bolhas São Domingos Cuvée Bruto e a fechar, um Late Harvest das Franças e de 2003, fantástico...
 
 

His name is Mendes, Hugo Mendes



 
O Hugo Mendes é enólogo, faz belos vinhos na Quinta da Murta, mas tem uma visão muito própria do que a região de Lisboa pode dar no que concerne aos vinhos brancos. Arinto e Fernão Pires (a Maria Gomes da Bairrada) deram o mote para uma aventura, em nome pessoal e com Lisboa no rótulo. Não é coisa pouca... 

 
Depois de uma pré venda ou en primeur, se preferirem, o Hugo enviou garrafas a alguns enochatos para provarem o vinho. Eu convidei o meu amigo Jorge Romualdo para almoçar, fiz uma variação do Bacalhau à Conde da Guarda, abri um Quinta da Murta 2012 (que está muito bom) e depois abri a garrafa do vinho do Hugo, ainda a acompanhar a refeição e a deixar um bocadinho para o fim. Seco, austero e mineral, é capaz de precisar de uns anos na garrafa para mostrar o que realmente vale. Gostámos muito do vinho, é mais ou menos o que eu esperava deste bebé do Hugo. Quando sair para o mercado, vai ter muita procura, por isso, não será fácil de encontrar. Terá um PVP recomendado de € 15,00, plenamente justificado. Grande vinho, ainda de gatas, mas vai ter pernas para andar e correr...

 
 
(esta foto foi "roubada" no Fakebook do Hugo, para se ver o rótulo)
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Trutas de Baião em Escabeche | Collares Branco 2012 (Trilogia 172)


Nesta trilogia nº 172, a Ana deu o mote a mim e ao Luís: Meti na cesta um(a), a evocar piqueniques ou quejandos e que me apeteceu desconstruir e apresentar duas coisas que vieram parar cá a casa, mas trazidas por amigos que até as podiam ter metido num cesto e que embora não tenham tido o privilégio de terem maridado juntas, ligaram com outras coisas mais ou menos boas. Mas acredito que esta ligação da comida e do vinho ia dar enorme prazer...


 
Provaram-se umas trutas de Baião feitas em escabeche, que funcionaram lindamente como entrada num almoço. Carne firme, muito boa execução, a pedirem um vinho fresco e com acidez vibrante, como um Collares Branco de 2012 da Viúva Gomes. Dois clássicos de outros tempos, que agora ganharam o estatuto de quase raridade.

 
Claro que não me importava de levar um cesto assim para um almoço ligeiro...