quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Vinhos e um Cozido




Gosto muito de um cozido. Entre a escolha das carnes e dos legumes, diferentes cozeduras e diversos modos de preparação, cada cozido é único e irrepetível. Este levou pernil de porco previamente salgado e demolhado, cabeça de porco fumada, nispo de vitelão nacional, frango de capoeira e enchidos do Pingo Doce (são porreiros e baratos, é experimentar). Os legumes foram cozidos apenas em água com sal e no fim fez-se um arroz carolino com caldo de cozer as carnes e um pouco de salsa para refrescar.  


No que aos vinhos concerne, o Rama & Selas Bruto é competente e merece ser provado. Porreiro assim, sem mais nada ou a acompanhar entradas, carnes brancas ou pratos de peixe com alguma gordura. Ainda antes do cozido, abriu-se um Murganheira Pinot Blanc Bruto de 2013, bem feito, mas falta-lhe complexidade, IMHO, apesar de ter um prémio de Excelencia da RV...

Já com o cozido, provámos o Chumbado 2015, que é o Quinta das Bágeiras Reserva. Quando o Pai Abel Branco de 2011 foi "chumbado", desapareceu do mercado num ápice. Este Reserva tem um perfil diferente dos anteriores (por exemplo, o 2011), mais fechado e mais curto. Para guardar a ver se evolui bem. Depois abriu-se um Termeão 2005, um dos meus vinhos preferidos da Casa Campolargo. Os iluminados da Wine aconselhavam a beber até 2016 e eu, sem saber o que digo, digo que temos vinho para mais dez anos, sem surpresas... Para acabar, um Cabernet Sauvignon australiano, o Thomas Hardy de 2000. Grande Cabernet, crescido, polido. Confesso que gostei mais do Termeão, mas este é um grande vinho.



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Strange Great Fine White Wines From Portugal


Os amaricanos não sabem onde vivemos, os japoneses se calhar também não sabem bem, mas na verdade nós vivemos num sítio fantástico que só peca por ser mal frequentado...


E temos gente a fazer vinhos estranhos, esquisitos, como o Espumante Bruto das Caves Messias, que custa cerca de cinco euros e é um espumantão. Não tem data de colheita, por isso, tanto se pode apanhar um acabado de fazer como se pode apanhar outro que já viveu anos em garrafa, que cresceu e que dá um grande gozo. Ou um Areias Gordas Fernão Pires de 2016, feito pelo Tomás Vieira da Cruz no Tejo, fresco, para provar e guardar, já que pelo menos meia dúzia de anos em garrafa lhe costumam fazer bem.
Podemos sonhar com um Rufia de Curtimenta 2016, feito em Penalva do Castelo pelo João Tavares de Pina (sonhar porque deve ser muito complicado comprar uma simples garrafa), que é diferente do "normal" e uma abordagem diferente e muito interessante ao que pode ser um vinho branco do Dão. Também de 2016, o Permitido; feito de Rabigato no Douro Superior pelo Márcio Lopes tem sido deixado um pouco de lado, por tudo o que se tem dito do Permitido de Centenária, mas que segue o seu caminho, tendo saído o 2013 e o 2015 antes deste. 
Tirando o espumante, que se encontra com facilidade (e tem uma relação qualidade/preço fantástica), os restantes são mais difíceis de encontrar. Belos vinhos, cheios de carácter, feitos para a mesa, mostram o desejo de quem os faz de mostrar vinhos diferentes, em alguns casos desalinhados. Venham muitos desses que nós agradecemos...







segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Prova Régia, Arinto de Bucelas daqueles obrigatórios




Quem vai tendo paciência para ler o que intermitentemente escrevo por aqui há mais de dez anos, já deve ter percebido que gosto muito de vinhos brancos, de preferência com alguns anos. 

Na verdade, temos vinhos simples e que desde que feitos com uvas sãs e vinificados sem pirotecnia, podem viver anos em garrafa e dar grande prazer na prova. De norte a sul e ilhas, temos belos brancos (não confundir com grandes brancos, como refere Pedro Garcias aqui e ali). 

Castas Portuguesas como Alvarinho, Loureiro, Avesso, Rabigato, Viosinho, Arinto, Bical, Encruzado, Malvasias, Maria Gomes/Fernão Pires, toda a família Cerceal, Antão Vaz, Síria/Roupeiro e algumas outras de que não me lembro assim de repente, brilham nos seus terrenos de eleição, ao mesmo que surpreendem em outras paragens, a solo ou em lote, muitas vezes com castas estrangeiras.

Mas o vinho de que que quero dar nota hoje é um simples Arinto de Bucelas. Custa € 3,49 na chamada moderna distribuição (PVP recomendado), apanha-se muitas vezes com um desconto de 25%, ou seja, custa menos de três euros. Prova Régia colheita; há um Prova Régia Reserva com um PVP a rondar os cinco euros e o Morgado de Santa Catherina que anda um pouco abaixo dos dez euros. A foto é dum 2011 que já não tenho. Mas quem quiser provar um vinho sério a preço bomba, procure os 2015 para guardar ou vá a correr comprar os de 2016. O colheita está pronto a beber, é fresco e cativante, o Reserva tem estágio em madeira que não chateia nada e já se bebe muito bem. Os mais antigos dão mais gozo, mas estes 2016 estão muito porreiros.



Se calhar vinhos destes deviam ser vendidos mais caros, mais de acordo com a sua qualidade e capacidade de evolução em cave, mas se os produtores os disponibilizam a estes preços, os consumidores agradecem...





sábado, 25 de novembro de 2017

Provas # 11


Vinhos abertos descontraidamente num almoço, apenas.



  • Espumante rosado aka Olho de Perdiz, Terras do Demo Bruto 2016. Feito em Moimenta da Beira a partir de uvas de Touriga Nacional, é um espumante cada vez mais consensual, pela sua versatilidade. Bom como welcome drink, pode acompanhar entradas e não vira as costas a pratos de peixe ou carnes brancas. Gosto, mas preferia colheitas anteriores, quando o vinho era mais austero e desafiante. Ainda assim, uma referência ao preço (cerca de oito euros);
  • Quinta da Murta colheita 2012. Pode não atingir a excelência do 2011, mas é um Arinto sério e grave que vai evoluir bem na garrafa. Com um PVP a rondar os seis euros, pede meças a vinhos mais caros e brilha à mesa a acompanhar desde umas ameijoas à Bulhão Pato (Bolhão é um Mercado do Porto) até uma bacalhauzada no forno. Para beber e guardar...
  • Dona Berta Reserva branco Rabigato de Vinhas Velhas 2015. Projecto do falecido Eng. Hernani Verdelho, feito em Freixo de Numão, Vila Nova de Foz Côa, no Douro Superior, é um vinho complexo, ainda muito jovem, mas que já se bebe muito bem. Um branco Duriense que cativa. (mais informação aqui);
  • Dona Graça Sousão Grande Reserva 2013. Um belo vinho do Douro Superior, muito equilibrado, a merecer prova atenta. À mesa, com uma posta ou um cabrito forneado, ele brilha. (mais informação aqui).


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Provas #10



Pouco garfo e faca aqui no blog. São mais vinhos...




  • A. Henriques Super Reserva, um espumante bem feito, porreiro como welcome drink ou para a mesa a acompanhar entradas. Porreiro, composto, a merecer prova;
  • Quinta do Ortigão Cuvée, obra do Osvaldo Amado, feito em Anadia nas propriedades da família Alegre. Belo Espumante;
  • Lisboa, do Hugo Mendes. Atrevido, com uma bela aptidão gastronómica, vai deixar saudades a quem não o puder provar daqui a uns anos;
  • Quinta de Foz de Arouce 2015; era um dos meus brancos de culto, mas anda algo arredado da excelência. A ver se evolui bem na garrafa...
  • Quinta da Portela da Vilariça 2001. Gostei muito. Sério e grave, belo vinho.
  • Warre's Quinta da Cavadinha Vintage 2001. Complexo e jovem, foi um belo companheiro no fim da refeição.


domingo, 12 de novembro de 2017

Conventual Reserva, Branco 2016, Tintos 2014




Já há bastante tempo que não provava nada da Adega de Portalegre. Em boa hora o Produtor lembrou-se e enviou os Conventual Reserva para prova.

O branco de 2016, feito com Roupeiro, Bical, Arinto e Fernão Pires de vinhas situadas a mais de 600m de altitude, da Serra de São Mamede. Aparece cheio, encorpado, mas com boa acidez. Tem 14º de álcool que não se notam desde que se beba o vinho à temperatura correta. Um vinho que liga bem com pratos gordos, como um bacalhau no forno, mas que, se se for mais ousado, e capaz de ligar muito bem com uns pezinhos de porco de coentrada. Muito bom, agora que está a começar a chegar o frio.

O tinto Reserva clássico de 2014 é feito com Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, também de vinhas a mais de 600m de altitude. Tem 14º de álcool e um carácter algo rustico, mas no bom sentido. Pode servir-se a 16º C em bons copos e ir apreciando a sua evolução ou então ser decantado uma hora antes de servir. Acho que precisa de um par de anos para estar no seu melhor, embora neste momento esteja bem interessante. Perfeito para uma vitela estufada a preceito.

O Vinha da Serra da Penha 2014 é feito com Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, também a 600m de altitude e estagiou doze meses em barrica de carvalho francês. Muito diferente do clássico, mais elegante e pronto a beber, tem 13,5º de álcool e será seguramente do agrado de quem gosta dos vinhos mais redondos e fáceis de beber. Um vinho para ligar bem com um bom frango no forno.

Gostei dos vinhos, acho que a relação preço/qualidade é boa e merecem prova. O PVP ronda os dez euros.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Três Brancos, os novos e o velho e um Porto


Vinhos provados num almoço. 

Lisboa 2016 do Hugo Mendes a abrir. Já será difícil de encontrar, mas é daqueles vinhos que vale a pena guardar e ir provando. É feito com Arinto e Fernão Pires, tem apenas 11,5º de álcool e é um vinho que foge às modas. Já o provei algumas vezes, (deixei nota aqui, há seis meses) e a verdade é que cada vez gosto mais do vinho.

Seguiu-se o Ensaios Soltos, do Márcio Lopes. Viosinho do Douro Superior da colheita de 2015, fresco e com boa acidez, mas com bom corpo para o fazer brilhar à mesa. Edição limitada, também não será fácil de encontrar, mas vale a pena comprar umas garrafas e ir provando.

Resumindo, dois vinhos novos, com grande capacidade de guarda e muito bem feitos.


Depois abriu-se um clássico do Dão, o Porta de Cavaleiros branco de 2002. Feito num ano difícil, pede meças a muitos vinhos mais novos. Quinze anos após a colheita, é um vinho crescido, maduro e que mantém a frescura. Belo vinho.

Rematou-se com um Porto 10 anos da Quinta do Infantado, um dos meus preferidos.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Segundo Encontro de Produtores - SotaVinhos @ Hotel Palácio do Freixo




Foi assim, virado ao Douro que decorreu o segundo encontro de Produtores representados pela Sotavinhos, no Hotel Palácio do Freixo e no passado dia dois de Outubro.



Logo à entrada da sala, parte do portefólio da empresa...




Sala bem composta, logo ao inicio da tarde.


Destaco aqui dois produtores que fazem vinhos com uma excelente relação preço/qualidade, a Somontes no Dão e a Quinta da Cassa no Douro.



Iniciei a prova com bolhas, daquelas provenientes de Champagne, os Baron-Fuenté e os Canard- Duchêne. Excelentes os Milessimés das fotos e muito bons os outros em prova.



Passando ao nosso Tugal, uma mini vertical de Regueiro Primitivo (2013, 2014 e 2015), a provar que estes vinhos verdes precisam de alguns anos para se mostrarem. Barricas e Reserva a complementarem a prova, dirigida informalmente pelo Paulo Cerdeira Rodrigues



Hora de passar à Bairrada e a um dos mais carismáticos Produtores da Região, Carlos Campolargo. Muitos vinhos, muitas marcas que às vezes até nos confundem... 



Grande Borga 2010, um espumante de luxo, grandes brancos, grandes tintos. É provar.




Passei ao Douro Superior. Maritávora, ali em Freixo de Espada à Cinta e com Jorge Serôdio Borges a comandar a enologia. O branco colheita de 2015 é um must e a mini vertical dos Grande Reserva 2010,11 e 12 foi de estalo. Tintos em grande nível, também.



Rumo ao Alentejo de Dorina Lindemann e aos Quinta do Plansel. Muito bem feitos, frescos, nada chatos. Muito curioso o Tinta Barroca, muito bons os outros.


De volta ao Douro, a Vallegre. Os não fortificados, brancos, tintos e um rosado em muito bom nível.



A perdição foram os fortificados. 




Este relato está naturalmente incompleto, deixo aqui a impressão do Sérgio Costa Lopes, mas seria preciso mais tempo para provar tudo. Uma grande tarde e um agradecimento ao José Carneiro Pinto pelo convite. E que venham mais encontros assim.



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Fiuza, Rosé e Chardonnay 2016




Já passaram alguns anos desde a ultima vez que provei vinhos deste produtor. O Rosé tem um toque de doçura que não me agrada muito. Beba-se bem fresco a acompanhar uns cogumelos salteados e a ligação é interessante.
Já o Chardonnay é outra historia. Fresco, com bom volume de boca, nada maçador, é um vinho que me deixou com vontade de o voltar a provar. É capaz de ganhar com um ano ou dois de guarda e será muito porreiro para acompanhar uma salada de bacalhau com grão ou um frango na púcara. Gostei.
Com um PVP a rondar os cinco euros, são vinhos a provar e a descobrir, já que o portfólio é vasto...

(vinhos enviado pelo produtor)

Pouca Roupa Rosado e Tons de Duorum Branco by João Portugal Ramos






Podia ter falado destes vinhos, ambos de 2016 (ainda por cima, foram enviados pelo produtor há uns meses) quando estavam em maré alta para serem bebidos numa esplanada a solo ou a acompanhar comidas frescas, daquelas de Verão, mas esperei algum tempo...

Podem ser vinhos para beber no verão, mas porque não experimentar agora? O Pouca Roupa Rosé, feito em Estremoz com  Touriga Nacional, Aragonez e Cabernet Sauvignon pode ser servido como welcome drink ou a acompanhar uma boa alheira grelhada. Fresco e com alguma secura, bebe-se com evidente prazer.
Já o Tons de Duorum, vem do Douro Superior, é feito pelo Eng. José Maria Soares Franco e tem um bocadinho de Moscatel a marcar o lote. Fácil de beber, o estilo tem vindo a ser afinado e é porreiro servido assim, sem mais nada, ou a acompanhar umas entradas.

São vinhos com um PVP abaixo dos quatro euros, muito bem feitos, para beber descontraidamente. 

(vinho enviados pelo produtor)





terça-feira, 17 de outubro de 2017

Provas #9


Vinhos abertos e bebidos num almoço há uns meses...




  • Quinta do Ortigão Bruto, feito pelo Osvaldo Amado, é um espumante de entrada de gama sedutor, para quem gosta de espumantes sérios. Bairrada Power
  • Champagne Baron Fuenté Bruto Grande Reserva. Um dos Champagnes com melhor relação qualidade/preço do mercado. Custa cerca de vinte euros no jumbo e vale bem a prova.
  • Pequenos Rebentos Alvarinho Edição Especial, à moda antiga 2015. Um grande vinho do Márcio Lopes que já provei muitas vezes e que é bem capaz de ser um dos melhores Alvarinhos que já bebi. Fresco e mineral, vai durar anos na garrafa. Pena é que já quase não se encontra...
  • Vinha Paz Colheita Tinto 2011. Um portento de vinho, mete monstros do Dão em respeito e ainda se ri. É o terroir, o ano e a vontade do Dr. Canto Moniz a falar mais alto. Custava cerca de sete euros. Melhor é quase impossível.
  • Ramos Pinto Porto LBV 1997. Engarrafado em 2001, sem filtração, mostra tudo o que um grande Porto tem: elegância e pujança, frescura, complexidade e um grande final de boca. Que grande vinho...

O Prazer do Vinho e a Arte do Mário Nuno, o Vigneron das Bágeiras




Almoço de convívio com amigos.

Bolhas da Bairrada feito por quem os trata por tu. Falamos do Mário Sérgio Alves Nuno, um dos mais reputados criadores de vinho de Portugal e uma referência incontornável da Bairrada.

Super Reserva em Magnum, duas de 2014 (saíram mil garrafas numeradas) , uma Double Magnum Velha Reserva 2001 (Edição Limitada, saíram apenas 130)

Grande o Super Reserva, mas o 2001 mostrou que na Bairrada se fazem grandes Vinhos Intranquilos ao nível dos melhores do Mundo.



O Vintage 1994 da Ramos Pinto que se bebeu no fim (e é um Tubarão), complementou bem a refeição.



sexta-feira, 13 de outubro de 2017

3 Brancos Baratos e Muito Bons




Foram quatro meses de pausa aqui no Blog.

Tempo para pensar se vale e pena continuar a ser blogueta/enochato e mandar umas postas sobre vinhos que vou provando ou se deixo isso para os profissionais. 
Recentemente, o "chamado" guru dos vinhos portugueses, aka João Paulo Martins, voltou a malhar (ou marrar) nas pessoas que escrevem sobre vinhos (entrevista aqui). Como não compro o seu (dele) Guia de Vinhos há cerca de dez anos nem o conheço pessoalmente, não liguei muito. 
Com estas recentes alterações das Revistas mais vendidas, não se ganhou grande coisa e nem o Fugas ou a revista do Espesso trazem muito de novo.

Aliás, muitas vezes dou comigo a falar com o meu Pai sobre temas relacionados com vinho e as coisas de que ele fala já foram repetidas à exaustão há uns anos atrás, o que bem revela a falta de assunto no que aos vinhos concerne (salvo algumas excepções, naturalmente).

O povo quer é muito e barato, de preferência tinto do Além-Tejo, daqueles que o Tio Belmiro e o sr. Soares dos Santos vendem ao (aparente) preço da uva mijona, bem gulosos e com teores de álcool a rondar os 15º e que o povo bebe em maus copos e à temperatura ambiente, ou, dito de outro modo, bebem uma sopinha de álcool...

Dito isto e com #vinhosdosamigalhaços retomo a demanda de falar de vinhos que muito pouca gente bebe, embora estes três sejam baratos, fáceis de encontrar e podem ser esquecidos e bebidos daqui a dez anos. São obrigatórios para o enochato ter na garrafeira e passam ao lado dos bebedores que compram o puro do lavrador para beber no ano ou vão às pseudo promoções da moderna distribuição a pensar que compram lebre por gato quando na verdade estão a comprar gato por lebre...




No alinhamento, temos o Quinta das Bágeiras branco 2016. Produzido pelo Mário Sérgio Alves Nuno, custa cerca de cinco euros e é um vinho fora de moda, até para apreciadores de vinhos brancos, mas dá um gozo do caraças à mesa, com uma feijoada de samos e línguas de bacalhau, por exemplo. Guardem-se umas garrafas durante uns quatro ou cinco anos e o vinho cresce e pede um bacalhau no forno ou até um frango igualmente forneado (e daqui a uns vinte anos, estará de "estalo"). Grande vinho da Bairrada! A seguir, temos o Quinta dos Roques branco 2015. Feito pelo Luís Lourenço, é um clássico do Dão que não ganha concursos (fica logo afastado do disparate de ser o melhor vinho do mundo), mas que sabe bem a solo ou a acompanhar comida. Afinfe-se-lhe com um arroz de polvo em modos e ele lá estará para mostrar o que vale. Está no Supercor do ECI a uns modestos três euros e setenta e cinco centimos, por isso é para comprar às caixas e ir desfrutando dele nos próximos vinte anos. Por fim, o Marquês de Marialva Arinto Reserva 2016. Feito pelo Osvaldo Amado na Adega de Cantanhede, é o mais consensual. Passa por madeira (em parte), está no Jumbo a cinco euros e bebe-se com qualquer coisa. Acredito que vá evoluir bem em garrafa, mas nesta fase acompanha bem um pregado no forno. Futuramente, veremos como evolui.



terça-feira, 13 de junho de 2017

Pontual, Vinhos do Alandroal - Prova Horizontal





Já conheço estes vinhos há alguns anos e esta nota de prova apenas peca por tardia, uma vez que os vinhos me foram enviados pelo Produtor há cerca de seis meses. Ainda assim, o tempo de guarda não lhes fez mal nenhum. Um colheita, feito com Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional e Petit Verdot, um blend de Touriga Nacional e Trincadeira, um monocasta de Syrah, todos de 2014 e um reserva de 2013, feito com Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah e com estágio de um ano em madeira, feitos pelo enólogo Paolo Fiuza Nigra acompanharam um cozido, num almoço com amigos.

São vinhos com um PVP simpático, entre os seis e os dez euros, Fáceis de beber (desde que ligeiramente refrigerados e servidos em bons copos) e de gostar, são vinhos para beber com quem não sabe muito de vinho, mas que agradam a enófilos, enochatos e quejandos. Gostei 😊

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tertúlia de Brancos, Mini Vertical de Pequenos Rebentos Alvarinho e uma Apresentação dos Novos Vinhos do Márcio Lopes num Jantar @ Villazur


Conheço o Márcio Lopes há uns anos e considero-o um Enólogo muito competente, sério e assertivo, para além de ser um amigo. Os Pequenos Rebentos começaram com uma edição limitada a 900 garrafas de um Tourigo feito no Douro em 2008, de que deixei nota aqui, mas foi na Região dos Vinhos Verdes que o Márcio consolidou a marca, a partir de 2010. No Douro Superior faz Ensaios Soltos, Permitido e Proibido e sobre os vinhos vou dando conta aqui no blog..


No passado dia 24 de Maio, teve a amabilidade de convidar alguns amigos para uma prova e jantar no Villazur, em Azurara, Vila do Conde. 


À chegada, PR Alvarinho e Trajadura 2016. Neste momento, o 2015 está mais feito, mas curiosamente voltei a provar este vinho de 2016 uns dias depois, confrontei-o com o aclamado Muralhas de Monção do mesmo ano, que até ganhou um Prémio Internacional recentemente (como relatado aqui) e o Pequenos Rebentos deu-lhe uma abada... Não é coisa pouca, por isso, aconselho a que se guardem umas garrafas para daqui a uns anitos.

Na mini-vertical de Alvarinhos, foi apresentado o 2016, muito correcto e a precisar de tempo em garrafa para mostrar o que vale. O 2015 em grande forma, o 2013 excelente e o 2011 a brilhar. Outra novidade foi o Alvarinho Pequenos Rebentos 2016 à Moda Antiga que vai ser um vinhão...

Para matar tudo, um Permitido Vinha Centenária 2016. Depois do 2015, que, para mim, é um dos grandes brancos do Douro, este parece ainda mais focado em ser um vinho de luxo.


Ao jantar, o Pequenos Rebentos Loureiro Vinhas Velhas 2016 com as entradas, fantástico, o Permitido 2015 já referido acima a acompanhar um arroz de polvo com filetes do mesmo e um Pequenos Rebentos Alvarinho Edição Limitada 2015 a acompanhar uma versão da posta mirandesa. Ligou tudo muito bem, a comida estava boa e para a sobremesa, um vinho desconcertante; Loureiro Fortificado 2016. Não sei se vai ser comercializado, mas foi uma bela surpresa.


No fim, a foto. Obrigado ao Márcio e ao Ricardo e aos restantes presentes que ajudaram a que este fosse um jantar memorável.

sábado, 3 de junho de 2017

Prova Vertical Quinta de Arcossó Reserva Branco (2008 a 2015)




Foi um almoço porreiro a provar vinhos muito bons. Um obrigado ao Jorge Neves por ter trazido os vinhos e outro aos que se deram ao trabalho de os vir provar a minha casa, com a minha comida.


Nas entradas, um presunto espanhol da loja do tio belmiro que não deslumbrou, azeitonas com um fio de azeite e orégãos da loja do sr soares dos santos, porreiras, uma bola de carne da Confeitaria Doce Fada, bem boa e um pudim de pescada, feito assim quase como este...

Começámos pelos mais novos e há um Grande Reserva 2015 (quase um welcome drink) que abriu a prova. Muito novo, promete; Já o Reserva do mesmo ano, está porreiro, mas a precisar de tempo em garrafa.


Com o pudim de pescada no prato, ensaiámos o 2014. Mais cordato, mas ainda novo; quando abrimos o 2013, uma desilusão. TCA presente, mas pode ter sido um defeito da garrafa, naturalmente. Ainda assim, deu para perceber que começa a estar no ponto...


Com uma açorda de Gambas, o 2012, porreiro, equilibrado, amigo do copo e do prato. Depois desse abrimos o 2011, talvez o melhor da prova, um vinhão...


Com o empadão de bacalhau, fomos ao 2010, muito correcto (um dos meus preferidos), ao 2009 (muito bom) e ao 2008. Todos em grande forma.

Não vou dar notas, mas deixo a opinião do Sérgio que já falou dos vinhos aqui...

São vinhos que merecem guarda, muito bem feitos e com uma boa relação qualidade preço. Gostei muito desta prova.

Antes da sobremesa, ainda se abriu um Romano Cunha de 2009. Tinto transmontano a merecer prova atenta...



Para sobremesa, um creme de chocolate com pimenta rosa e flor de sal a acompanhar um Quinta do Infantado LBV 2011




No fim da refeição, um Dow's Vintage 2000, de sonho.