quarta-feira, 22 de março de 2017

Trilogia 167 - Arroz de Polvo e Zarate Tras da Viña Albariño 2014



 
Quando o Luís lançou o desafio a mim e à Ana para fazermos "Comeres daqui e dali", achei por bem fazer um prato que normalmente me sai bem. Arroz de Polvo...
 
Comecei por cozer um polvo congelado com pouco mais de um quilo, daqueles que se apanham ali entre Muxia e Camariñas, acima do Cabo Fisterra, na Galiza e que se compram no PD. Para cozer o polvo, limitei-me a meter um fundo de água num tacho, mandei o polvo lá para dentro e fui vigiando a cozedura (cerca de 40 minutos em lume brando, depois de levantar fervura). Reservei a água e cortei o polvo em pedaços.
Piquei uma cebola, dois dentes de alho e umas tiras de pimento vermelho para um tacho, cobri com azeite e deixei a estrugir, com umas rodelas de chouriço, um pouco de molho de malaguetas e pimentas várias grosseiramente esmagadas no almofariz. Juntei um pouco de polpa de tomate, salsa picada a gosto, refresquei com vinho branco e deixei estufar durante cerca de 45 minutos.
Quando o estrugido estava no ponto, adicionei duas chávenas de chá de bom arroz carolino e seis chávenas de água bem quente. Deixei levantar fervura, mexi e juntei mais salsa. Cinco minutos depois, adicionei o polvo, mexi e deixei em lume muito brando durante mais cinco minutos. Desliguei a placa e deixei mais uns três minutos a harmonizar sabores e servi.
 

 
No copo, um Albariño de sonho, o Zarate Tras da Viña 2014. Fresco e mineral, diferente de todos os Alvarinhos daqui do País. Nada de notas de fruta tropical, nada de pau, quase nada de nada. Austero e a precisar de tempo na garrafa, ligou muito bem com o prato. Grande, grande vinho...
 
 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Prova Vertical de Duorum


Duorum, João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco. João Perry Vidal. Almendra, Vila Nova de Foz Côa. Quinta de Castelo Melhor.


 
Esta é capaz de ter sido a primeira prova vertical dos vinhos Duorum do Eng. José Maria Soares Franco feita fora de portas.
 
O primeiro Duorum foi feito em 2007 e agora temos o 2014 no mercado. Em breve sairá o 2015. Provei todos os vinhos, pouco depois de saírem para o mercado e gosto. Com um PVP de dez euros nos hipermercados, compra-se a menos de oito em garrafeiras ou no Site Grandes Vinhos.
 
No ano passado provei o 2011 e gostei muito. Tinha as colheitas de 2010 a 2014 e pedi à empresa os 2007, 2008 e 2009, que foram prontamente enviados (Obrigado).

Depois de algum tempo, lá fizemos a vertical. Foi cá em casa e o Sérgio Costa Lopes já deu nota de prova no Contra Rótulo...
 
Gostei de ver e provar. O 2014 ainda estava muito novo, mas depois de ser decantado, melhorou muito. Em destaque os 2013 e 2012, excelentes. O 2011 estava a léguas de distância da garrafa que abri o ano passado (em agosto de 2016 estava um vinhão), mas se calhar está numa fase parva e ainda se vai mostrar. O 2010 também não estava na melhor forma. Os mais velhos estavam muito porreiros (embora o 2009 tivesse muito depósito e o 2007 um toque de TCA) e agradaram.
 
São vinhos com carácter, embora estejam feitos para o grande mercado. O PVP é adequado, como se espera dos vinhos produzidos pelo Eng. João Portugal Ramos. Grande Prova...


 
 
 
 

Trilogia 164 - Molho de Malaguetas




"África - Do Atlas à Boa Esperança"

Este foi o tema que o Luís lançou para a nossa aventura nº 164 a 3. O Luís fez um prato inspirado na cozinha de São Tomé e a Ana cruzou referências de Cabo Verde e de Moçambique.
Eu fui menos ambicioso e fui apenas explorar a parte picante da coisa.
Embora o Luís tenha feito um belo post sobre Malaguetas e Goa, já lá vão mais de oito anos, foi em conversa com amigos que estiveram em Africa, com o meu Pai e com algumas recordações do molho de Piri-Piri que acompanhava uma espécie de Jardineira de Galinha que a minha Mãe fazia na panela de pressão, que deram o mote para este "molho"...
 
Malaguetas (vermelhas, com cerca de 4 cm)
Azeite
Whisky (novo)
Sal Marinho
 
Simples e directo. Tirei a parte de cima das malaguetas e enfiei-as num frasco. Juntei sal e um pouco de whisky, mexi e cobri com azeite (de Valpaços, não filtrado, do Pingo Doce). Fechei o frasco e reservei. Dará molho...
 
 
 
 
 
 


Trilogias 165 e 166, Conservas Engalanadas e uma Ida ao Mar para Arranjar o Jantar



 
Este é um prato que cumpre duas Trilogias, das que são feitas comigo, a Ana e o Luís.
 
Na primeira, Bacalhau é conserva e grão de bico compra-se no frasco ou na lata, conservado...
Na segunda é igual, podemos ir ao mar, mas podemos sempre ficar de prevenção e ter algo pronto, caso não se pesque nada...
 
A Meia-Desfeita é um prato fantástico de Lisboa e foi esse que escolhi para cumprir este dois em um...
 
Grão, a gosto;
Bacalhau demolhado e cozido;
Ovo, cozido;
Cebola, alho e salsa picada, bom azeite, vinagre (gosto muito do Oliveira Ramos), sal e pimenta a temperar;
Azeitonas a guarnecer (querendo).
 
Coze-se o bacalhau e o ovo num tacho, sobre cama de grão conservado. Pica-se uma cebola, dois dentes de alho e um raminho de salsa, tempera-se com sal e pimenta e envolve-se com bom azeite. Reserva-se. Faz-se uma base de grão no prato, cobre-se com o bacalhau em lascas e o ovo cortado em rodelas. Deita-se o molho e guarnece-se com azeitonas. (adaptação livre da receita da Cozinha Tradicional Portuguesa, de Maria de Lurdes Modesto, pag. 202).
 
 
 
No copo, um Pequenos Rebentos Loureiro 2016. Acabado de engarrafar, precisa de uns meses para se mostrar, mas já proporciona boa prova.